Reflexões sobre o 8 de março

A biblioteca de meus pais era organizada por nacionalidades e temas. Quem decidia a divisão e arrumação era minha mãe. Assim, livros de não-ficção se dividiam em política, comunicação, cinema, história, filosofia, arte etc. Já os de ficção, por país de origem do escritor. A exceção eram os romances escritos por mulheres, que eram agrupadas juntas. Foi assim que percebi que mulheres formavam um grupo social distinto. Meus livros também são ordenados por nacionalidade, mas nunca tiveram o gênero como fator de separação – absolutamente incompreensível para mim. Antes mesmo de ser criado o Orange Prize, restrito a mulheres, eu já me alinhava com as escritoras que rejeitam o prêmio, por julgá-lo sexista.

 

3241140Com o feminismo voltando à voga, entendo a ênfase da atualidade em valorizar as escritoras, já que as mulheres demoraram até se firmarem como literatas, chegando a usar pseudônimos masculinos para assinar seus textos. O que me espanta é que feminismo continue sendo um adjetivo quase pejorativo. Em criança, conheci as primeiras feministas pelo noticiário. A americana Betty Friedan era sempre classificada como “feia”. A seu lado, a bela Gloria Steinem mostrava que direitos iguais nada tinham a ver com ser “mal amada, horrorosa e encalhada”. Muitos anos antes, Simone de Beauvoir falara que ninguém nascia mulher, tornava-se mulher. Simone foi, oficialmente, a primeira feminista que eu li. Comprei e devorei O Segundo Sexo (Nova Fronteira, R$ 120), que, há mais de meio século, falava em contracepção, divisão de tarefas domésticas e em creches. Na mesma época, li Aspectos do Presente (Francisco Alves, R$ 15 – em sebos), da antropóloga Margareth Mead, que falava sobre casamento, sexo, tabu e diversos assuntos de interesse feminino sob a ótica de alguém que conhecera outras sociedades. Um de seus mais conhecidos ensaios, A adolescência em Samoa, escrito em 1924, integra Cultura e personalidade (Zahar, R$ 39,90), que também traz textos de Ruth Benedict e Edward Sapir, com quem Mead trabalhou – e namorou.

 

10062014161957_o_valor_da_vidaNos longínquos anos 1970, Margareth Mead era vista como uma figura estranha, de corte de cabelo antiquado e fala muito atrevida para senhoras de sua faixa etária. À observação científica ela somava paixão pelo estudo de outros grupos sociais, que se mostravam libertários para os ocidentais. Nesse momento em que o feminismo retorna às discussões, é interessante verificar quantos ícones são erguidos no altar do gênero. Outro dia, li uma blogueira jovem que comprava um livro de Virginia Woolf porque “ela era feminista e eu também”. O motivo é mais do que legítimo para levar à descoberta de uma obra brilhante, que incluiu também análises sobre o papel social e artístico da mulher. Um dos artigos reunidos em O valor do riso (Cosac Naify, R$ 52) trata exatamente das razões para o surgimento tardio das escritoras, antes inibidas pela falta do reconhecimento de que eram seres pensantes, da precária educação reservada às mulheres por muito tempo, pela obrigação de cuidarem de filhos e de maridos.

 

47054625-6aa2-4d57-9125-443b1af2d16dRezepelasmulheresroubadasokSe hoje temos tantas mulheres prontas a escrever e a refletir sobre o significado do feminino a cada 8 de março, não faltam lugares onde o gênero ainda determina seu destino como objeto. É o que conta Jennifer Clement em Reze pelas mulheres roubadas (Rocco, R$ 39,90), um vigoroso romance ambientado no interior do México, onde os lugarejos só têm mulheres e meninos entre seus moradores. Qualquer menina que nasça é vestida com trajes masculinos a fim de evitar o rapto pelos traficantes de drogas. A vida miserável de populações esquecidas pelos governantes é contada através da saga da jovem Ladydi, que vê a melhor amiga, “mais bonita que Jennifer Lopez”, virar escrava sexual, destino do qual escapa escondendo-se em buracos subterrâneos abertos pela mãe. Nascida no México, Jennifer Clement, que acaba de ser indicada ao Prêmio Pen/Faulkner de ficção, faz um retrato da violência de seu país e da luta pela sobrevivência em lugares onde jamais se ouviu falar em qualquer tipo de direito.

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A eterna juventude

O segmento que mais cresce em literatura, desde o advento de Harry Potter, é o destinado a jovens adultos – um grupo que já passou dos vinte anos e permanece interessado em aventuras fantásticas, escritas, originalmente, para crianças e adolescentes. Esses seriam os cultores de sagas misturando elfos, sereias, fadas, bruxos, anjos, demônios, zumbis, vampiros, lobisomens, todos em busca de poder, o fim ou a salvação da humanidade e/ou habitantes deste ou de outros corpos celestes.

À primeira vista, para um leitor maduro, tais personagens parecem que apenas mudam  de nome, gênero ou espécie, encaixando-se, perfeitamente, em todos os títulos. Velhos sábios, intrépidos jovens heróis, mulheres guerreiras e adultos cínicos ganham nova roupagem a cada uma das novidades que surgem no mercado da literatura de entretenimento. O certo é que nenhuma editora de peso, hoje, dispensa os títulos para os jovens adultos.

catalogograndeNem sempre essa leitura é fácil. Há que se entrar no universo detalhadamente criado por escritores como Laini Taylor, autora da série iniciada com Feita de fumaça e osso (Intrínseca, R$ 29,90), que traz as aventuras da estudante de artes plásticas Karou, que conhece o anjo Akiva, em luta contra as quimeras, monstros que criaram a mocinha. A conclusão do encontro entre os rivais, que, naturalmente, se apaixonam,  está em Sonhos com deuses e monstros (Intrínseca, R$ 39,90), para tristeza dos fãs, que pedem mais aventuras, complementando a trilogia (que acabou ganhando uma novela paralela, sobre personagens secundários, Noite de Bolo e Marionetes).

b0d2fa9d-7f43-4d51-afe0-201c6cd2db96As narrativas, geralmente com detalhamento de cenários, apesar da aparente superficialidade dos personagens, nem sempre são leitura fácil para quem não seja um admirador do gênero. Além da inserção de universos paralelos no mundo que conhecemos, o nomes de batismo de cada personagem e a conceituação das categorias de seres exigem alguma atenção do leitor, que poderia ser alguém como Ethan Gilsdorf, autor de Tudo o que um geek deve saber (Novo Conceito, R$ 39,90). Apaixonado por Tolkien, jogador pioneiro de Dudgeons and Dragons, às vésperas da meia idade, Gilsdorf visita as locações das filmagens dos filmes baseados na série O Senhor dos Anéis, encena batalhas vestindo trajes medievais e tenta compreender como, adulto, continua apaixonado pelo heroísmo da ficção.

e2962ef9-9def-4eb2-be7b-989dfc15bbf7Esses personagens guerreiros, totalmente desprendidos de instintos de sobrevivência, encantam leitores desde os primeiros romances de cavalaria, numa época em a expectativa de vida média ficava em, no máximo, cinco décadas. Os jovens nem viviam conflitos da adolescência, o que, costuma-se vulgarmente atribuir a Holden Caufield, o protagonista de O Apanhador no Campo de Centeio, (Editora do Autor, R$ 75), lançado em 1951 por J.D. Salinger. O atrapalhado Holden, que perdeu o ano e terá que deixar o colégio interno, precisa voltar para a casa da família, mas teme a reação dos pais. Bem mais angustiado é Hamlet, talvez o mais conhecido personagem da literatura (há estatísticas que garantem que o nome só perde para “Jesus Cristo” nas pesquisas internautas). A idade de Hamlet pode ser entre 19 e 30 anos. Certamente, é um homem jovem, confuso pela morte suspeita de seu pai e do casamento da mãe com o cunhado. Tem atitudes intempestivas e demonstra a mágoa abertamente, como um adolescente. Auxiliar a compreensão do texto por leitores de diversas idades, foi a intenção de Rodrigo Lacerda eme082795f-e36c-4f39-ba88-2a0af064f090Hamlet ou Amleto? Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiços (Zahar, R$ 39,90), um guia que disseca a peça. Cada ato e cena merece explicações literárias, políticas e geográficas, em comentários sobre os sentimentos e sensações que movem a história, transpondo-a para uma linguagem atualizada. Mais do que uma adaptação, o livro faz a aproximação do leitor do século XXI com a mentalidade renascentista do Bardo.

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O Rio de Janeiro continua lindo!

Há 50 anos, eu entrava para o Jardim de Infância do Colégio Notre Dame, em Ipanema, onde vivi minha infância, juventude e um pouco da maturidade. Aprendíamos a escrever algumas letras e os algarismos. O “4” era facílimo, pois se repetia, em quatro posições diferentes no símbolo do Quarto Centenário de fundação da cidade.

Naquele tempo eu nem imaginava que iria comemorar os 450 anos da minha muy leal y heroica São Sebastião do Rio de Janeiro. Nasci no Estado da Guanabara e, como meus conterrâneos cariocas, acredito que ser do Rio é praticamente vir ao mundo com um título nobiliárquico. Não importa que o Rio tenha deixado de ser capital federal. Seus habitantes,  aqueles que insistem em manter a posse desse recanto tão afamado quanto disputado, continuam apaixonados pela cidade, à qual devotam um sentimento acima do bairrismo. É patriotismo mesmo.  A vida é cara, é agressiva, é difícil no Rio de Janeiro, mas a população resiste, espalhando-se pelas ruas, desafiando o bom-senso, a violência cotidiana, avançando no carnaval, buscando o frescor das matas, mergulhando no mar.

O espírito carioca está nas crônicas de Rubem Braga, nas poesias de Vinícius de Moraes, nos contos de Machado de Assis, nos textos de Rubem Fonseca, nas peças de Nelson Rodrigues. O que não falta é referência histórica ao Rio, desde que os portugueses chegaram a essas plagas, onde se fixaram mantendo acordos com os diversos grupos de indígenas que viviam nessa região, como conta  Pedro Dória, autor de 1565 – Enquanto o Brasil (Nova Fronteira, R$ 39,90). Carnaval no Fogo(Companhia das Letras, R$ 46), de Ruy Castro também trata desses primórdios, avançando no tempo até a época em que o aquecimento global deixou o Rio de Janeiro com a temperatura próxima ao insuportável.

O calor, no entanto, é mencionado em quase todos os relatos de viajantes que por aqui chegaram em séculos pré-ar condicionado ou ventilador, como o jovem Edouard Manet descreve, em Viagem ao Rio – Cartas da Juventude (José Olympio, R$ 18 – em sebos, apenas), quando se correspondia com a família relatando seu encantamento com a exuberante natureza no entorno da Baía de Guanabara. O futuro artista permaneceu no Rio de fevereiro a meados de março de 1849 – travando conhecimento com o verão carioca e as chuvas dos trópicos.

52f10d15-ff99-4767-b36b-70a3be34ec4dO olhar estrangeiro sobre o Rio sempre descobre características que para os habitantes da megalópole são corriqueiros. Os visitantes, ou os que se juntam à população, como a americana Priscilla Ann Goslin, que lançou, em 1982, How to be a carioca – the alternative guide for tourists in Rio (Editora Twocans, R$ 32), geralmente percebem as peculiaridades da cidade com muito humor. A principal estranheza sempre é convite para aparecer “lá em casa”, que nem sempre deve ser tomado ao pé da letra.

1012723-250x250O Rio de Janeiro é uma cidade tão charmosa que mesmo o sóbrio economista Edward L. Glaser não resiste ao entusiasmo com os clichês da beleza natural da orla carioca. Antes de explicar por que vê algo de bom nas favelas, em Os centros urbanos – a maior invenção da humanidade (Campus, R$ 96), ele afirma que nas praias do Rio, “enfeitadas por pessoas bonitas, os cariocas parecem estar se divertindo ainda mais que os estrangeiros”. Para muitos visitantes, o principal traço do carioca não seria a cordialidade, mas um misto de eterna festividade com sensualidade nos corpos quase sempre pouco cobertos. O Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa,  em Dicionário Amoroso da América Latina (Ediouro, R$ 59,90), assinala que  enquanto existir o carnaval carioca “a vida será melhor do que é normalmente, uma vida que, por alguns dias (…) toca os faustos do sonho e se mistura com as magias da ficção”.

400O mesmo delírio festivo é observado pela jornalista americana Barbara Ehrenreich, que em  Dançando nas Ruas – Uma História do Êxtase Coletivo (Record, R$ 54,90), descreve a evolução de um bloco carnavalesco pelas areias da Praia de Copacabana para ilustrar a integração democrática de estranhos movidos apenas pelo júbilo coletivo proporcionado pela dança: “Não havia nenhum objetivo naquilo. (…) era apenas a chance, da qual precisamos cada vez mais neste mundo abarrotado, de reconhecer o milagre da nossa existência simultânea em algum tipo de celebração”.

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Biografias hollywoodianas

O ano novo começará sonolento para os brasileiros que acompanharão a entrega do Oscar neste domingo. Por interesses publicitários, seguindo a mesma lógica das finais de campeonato de futebol, permanece essa transmissão na virada para segunda-feira, uma crueldade com a classe trabalhadora tupiniquim, que inicia, oficialmente, 2015 no dia 23 de fevereiro. E às vésperas da premiação, vem a constatação: Hollywood perdeu a imaginação. Entre os indicados, como em anos anteriores, há diversos filmes baseados em livros, a imensa maioria relatos biográficos tocantes sobre a superação de dificuldades – boa parte deles sem valer a ida ao cinema.

42745092 (1)A primeira mulher do físico Stephen Hawking, Jane, conta a história da vida ao lado do superstar da ciência contemporânea em  A Teoria de Tudo (Editora Única, R$ 39,90), que serviu de base para o fraco melodrama com o mesmo título. Para comparar as versões sobre a trajetória de Hawking, há sua divertida autobiografia Minha Breve História (Intrínseca, R$ 19,90). Já quem gosta de física, pode ler a nova edição de Uma breve história do tempo (Intrínseca, R$ 39,90), em que Hawking descreve sua teoria para o início do universo.

Sniper Americano (Intrínseca, R$ 39,90), autobiografia de Chris Kyle, o maior atirador de elite da Marinha dos EUA, rendeu o único pipocão entre os indicados ao Oscar deste ano. Dirigido por Clint Eastwood, o filme tem recebido elogios, mas não facilitam a leitura do livro, cujo autor, que considerava seu dever matar quem ameaçasse a vida dos cidadãos americanos. A exaltação patriótica não leva, em momento algum, a uma reflexão sobre a intrusão na política externa e os interesses por trás de invasões de solo estrangeiro. Kyle foi morto por um veterano de guerra, em solo norte-americano.

Garota Exemplar (243x349)Antes do sucesso de Garota Exemplar (Intrínseca, R$ 39,90), que teve seis milhões de exemplares vendidos, Gillian Flynn foi finalista do prêmio Edgar – um dos mais importantes para a literatura de suspense/policial – e ganhou reconhecimento com outras premiações por Objetos Cortantes (Intrínseca, R$ 34,90). O filme baseado em Garota levou à  indicação ao Oscar para Rosamund Pyke, que interpreta a mulher desaparecida, numa trama desconstruída a cada capítulo. Em Objetos, uma jornalista tem que voltar à cidadezinha onde cresceu para a cobertura das investigações policiais sobre um desaparecimento. Intrigante desde o primeiro parágrafo.

1116O best-seller Livre – A jornada de uma mulher em busca do recomeço (Objetiva, R$ 39,90), de Cheryl Strayed, teve os direitos comprados pela atriz Reese Witherspoon, indicada ao Oscar pelo papel da autora em sua caminhada de 1.770 quilômetros pela costa oeste dos Estados Unidos, refletindo sobre o significado de sua própria existência. Outra biografia que concorre a Oscar de melhor fotografia, montagem e edição de som,  Invencível(Objetiva, R$ 49,90), de Laura Hillenbrand, conta a história de  Louis Zamperini, que sobreviveu a 47 dias num barco à deriva, no Oceano Pacífico, tendo permanecido preso pelos japoneses até o fim da Segundo Guerra Mundial.

12873_ggUm dos raros livros de ficção a inspirar os roteiristas deste ano,Vício inerente (Companhia das Letras, R$  61), de Thomas Pynchon, traz o detetive particular Doc Sportello à procura de um poderoso incorporador do mercado imobiliário. Desvenda, claro, uma imensa conspiração envolvendo surfistas, traficantes, contrabandistas, policiais corruptos e o crime organizado na Califórnia do início dos anos 1970. Fora a trama, há informações curiosas, como o papel do saxofone na surf music dos anos 1960 e as técnicas de montagem de um penteado Black Power.

E feliz ano novo!!!!

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A beleza, a melancolia, a folia

Entre um bloco e outro, numa boa rede, nada melhor do que aproveitar o Carnaval para se aprofundar nos temas musicais brasileiros. Uma das pedidas bastante condizentes com a época é conhecer melhor um dos grandes sambistas brasileiros, José de Assis Valente, que viveu de maneira  oposta ao olhar irônico e entusiasmado que caracterizava suas canções. A alentada biografia do compositorQuem samba tem alegria: a vida e o tempo de Assis Valente (Civilização Brasileira, R$ 65), de Gonçalo Júnior, conta, com sobriedade, o sucesso e os percalços enfrentados pelo talentoso baiano, que se suicidou em 1958, aos 46 anos, assolado por dívidas e em depressão.  Sua obra, que inclui clássicos como Brasil Pandeiro, a melancólica Boas Festas e a divertida E o mundo não se acabou,  faz sucesso até hoje.

230918d2-dfa4-4996-811c-5704960b7154Em 1968, o jornalista Sérgio Porto, sob seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, compôs uma das mais satíricas peças da MPB, oSamba do Crioulo Doido, que falava de um sambista levado à loucura por ser obrigado a montar composições baseadas na História do Brasil. O jornalista Marcelo de Mello, ao contrário de Stanislaw, mostra a importância do compositor popular, geralmente pobre e de baixa escolaridade, dentro do carnaval carioca em O enredo do meu samba – A história de quinze enredos imortais(Record, R$ 32). O primeiro samba-enredo que é dissecado em crônica por Marcelo é Aquarela Brasileira, cantado na Avenida em 1964 pelo Império Serrano, que não ganhou o desfile daquele ano, mas projetou o talento de Silas de Oliveira. As quinze crônicas trazem os bastidores das escolhas de sucessos como Os Sertões(1976 ) e É Hoje (1982, União da Ilha), traçando também a trajetória e a evolução das escolas de samba cariocas até 1993.

Sem qualquer ligação com o samba, mas de grande sonoridade são os belíssimos textos de  Isto também passará (Editora Baobá, R$ 35), da escritora, ilustradora e violoncelista Angela Lago. Composto por encantadores parágrafos que se encadeiam em contos curtos e reflexões filosóficas, pode passar como um livro de “pensamentos”, ideal para os tempos apressados da Era da Internet. Um exemplo: “Perdi meu rosto andando pela rua, enquanto espiava quem passava. Foi bom. Fiquei leve. Ri com a boca de quem ria. Depois fui cachorro, passarinho, uma árvore. Quando voltei para casa era menina, menina”.

OAteneu_comentado_0As palavras que criam imagens fortes, densas eram a especialidade de Raul Pompeia. “’Vais encontrar o mundo’ disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta”’ é o parágrafo inicial de O Ateneu (R$ 39,90), que acaba de ganhar edição caprichadíssima, repleta de notas explicativas, além de 44 ilustrações originais do próprio autor, na coleção Clássicos Zahar.  Publicado em 1888, em forma de folhetim no jornal Gazeta de Notícias, quando Raul Pompeia tinha 25 anos, o romance trata do sofrimento da passagem da infância para a adolescência do jovem narrador, que estuda num internato – um hábito da época, disseminado entre a elite brasileira. Métodos educativos extremamente rigorosos contribuem para as recordações amargas do escritor, que, depressivo, suicidou-se sete anos depois de lançar sua obra-prima.

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A sobremesa da literatura

O ano recomeça preguiçoso em fevereiro, certo de que haverá mais tempo para se adaptar à retomada da vida depois da semana de Carnaval. Para esquentar as turbinas e enfrentar 2015, gosto de me debruçar sobre o que há de pior no mundo – a sordidez do crime, que me encanta, apenas, na ficção. Um amigo querido afirma que o livro policial é a sobremesa da literatura, aquilo que tem um sabor adocicado, que traz um prazer fugaz depois de saciarmos a fome.

f0686ae0-05b0-49cb-88f5-8c7b684a41eaO americano Raymond Chandler é uma das referências na literatura policial, principalmente pela criação de Phillip Marlowe, o investigador particular durão, cínico, quase um clichê nas histórias de detetive. Lançado em 1943 nos Estados Unidos, A dama do lago (Alfaguara, R$ 34,90) é tão dinâmico que pode ter seu enredo tranquilamente adaptado aos dias de hoje, porque as histórias de Chandler não se prendem às épocas, mas se estruturam sobre os anseios humanos. Além do romance, em que Marlowe sai à cata de uma mulher mal casada e desaparecida, esta edição traz o famoso artigo Doze anotações sobre a narrativa de mistério, em que Chandler apresenta os elementos básicos para a montagem de suas histórias. Elogios, só para Dashiell Hammett, R. Austin Freeman e Dorothy Sayers. Conan Doyle, Edgar Alan Poe e Agatha Christie – principalmente esta última – são demolidos como autores que desprezavam o conhecimento da Polícia, além de “esconderem pistas” do leitor e desconhecerem técnicas que permitem a identificação dos suspeitos.

livro_X5BMIjEspecialista em narrativas bastante originais, a argentina Claudia Piñeiro apresenta um crime e todas as formas de evitar sua punição nas primeiras páginas de Tua (Verus, R$ 25). A dona de casa Inês decide encobrir a morte acidental da secretária de seu marido, com quem ele teria um caso amoroso. Em sua sanha por apagar as provas contra Ernesto, ela mesma comete diversos delitos e faz novas descobertas, que trazem reviravoltas constantes no movimentado enredo.  Essas revelações numa trama que se modifica, muitas vezes com inversão dos papeis de cada personagem, não chegam a ser novidade na literatura policial. Antes de dormir (Record, R$ 35), romance de estreia do britânico S.J.Watson, foi traduzido para mais de 40 países. Chega agora ao cinema com Nicole Kidman interpretando Christine Lucas, uma mulher que acorda todos os dias sem saber quem é e o que lhe aconteceu. A reconstrução de sua identidade, auxiliada por um psiquiatra e pelo marido, usando um diário digital, faz do thriller mais do que uma simples investigação criminal.

b04ba081-f8a7-49c1-ae57-529858dac63bDepois do anúncio de que o francês Patrick Modiano ganhara o Nobel de Literatura 2014, as editoras Record e Rocco correram a lançar ou republicar no Brasil seis de seus romances. Dele, eu só havia lido um belo infanto-juvenil, Filomena Firmeza (Cosac Naify, R$ 29,90), totalmente ficcional, sobre uma menina criada apenas pelo pai, com a mãe vivendo no exterior. O autobiográfico Remissão de pena (Record, R$ 25) lembra a infância ao lado do irmão mais novo, em Paris, na casa de amigas dos pais, que viajam por diversos países. Uma novela intrigante, que trata de um tema recorrente na obra de Modiano – a infância desprotegida e a ausência paterna. Numa época em que crianças não mereciam qualquer tipo de esclarecimento, eles não entendem qual é a ligação daquelas mulheres com seus pais, pressentindo que todos, de alguma maneira, estão envolvidos com crimes no passado.

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Festival Segunda Chance

Em cinema sempre tem. Então, que tal começar o ano lendo o que de melhor foi sugerido aqui nos últimos doze meses? Esses são alguns dos grandes livros que li ao longo de 2014. Valem uma apreciada nos preguiçosos dias do verão nos trópicos.

Biografia:

47c8178c-96e1-4695-ab4e-0e52268b6c38Quando os skates forem de graça (Record, R$ 32), Saïd Sayrafiezadeh, conta a infância e juventude do filho de dois militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores, que acreditam, com fervor quase religiosos que a ditadura do proletariado conquistará os Estados Unidos – um fator de exclusão social para o menino, principalmente durante o governo Jimmy Carter, quando americanos são mantidos reféns pelo Irã.

 

63f9ac7a-1632-457a-b24f-63b1598b0835Cantiga de Findar (Rocco, R$ 34,50), do poeta mexicano Julián Herbert, fala sobre sua infância e juventude, enquanto acompanha a mãe, morrendo de leucemia, no hospital.  Uma mulher inconstante, que se prostituía quando não era sustentada pelos diferentes homens de quem engravidou, carregando os cinco filhos ou alguns deles para bordeis em localidades diversas, onde assumia novas identidades.

 

a263f53a-b7b1-4574-944b-8779561160a5O que amar quer dizer (Cosac Naify, R$ 39), de Mathieu Lindon, recorda, com a exuberância típica dos franceses, que valorizam experiências e encontros pela maneira apaixonada como são descritos, sua mocidade e a importância dos relacionamentos afetivos para a formação pessoal de cada um. Filho de um editor, Lindon se detém em sua convivência com Michel Foucault, um de seus grandes amigos .

 

33cf5d67-7423-4f98-8705-78bd87bf917eCriatividade S.A. – Superando as forças invisíveis que ficam no caminho da verdadeira inspiração (Rocco, RS 39,50), de Ed Catmull, presidente da Pixar e da divisão de criação da Disney, ganhador de 5 prêmios Oscar por criação em tecnologia, fala sobre filmes, a evolução tecnológica na indústria do entretenimento, gestão de pessoal e também sobre a convivência com o esquisitíssimo Steve Jobs, a quem o livro é dedicado.

 

3610b5bd-23ce-468c-a287-932c5b373773O longo adeus (Alfaguara, R$ 44,90), de Raymond Chandler, é para o escritor argentino Ricardo Piglia “o melhor romance policial que já se escreveu”. Neste thriller perfeito, o detetive Philip Marlowe precisa ajudar um amigo alcoólatra a sair do país. No caminho, encontram obstáculos nas figuras de mulheres fatais, escritores, bandidos e homens poderosos.

 

829cc880-6d07-433e-9eba-724f2ee61211Viver é comer – Um diário de amantes da gastronomia (Tinta Negra, R$ 49), do escritor James Salter e de sua mulher, a jornalista Kay, veio do que os dois registravam  num caderno marrom sobre os jantares que ofereciam.  Fatos corriqueiros ou não também passaram a entrar nesses arquivos, que ocuparam outros cadernos, onde curiosidades sobre alimentação também mereciam nota. Por sugestão de um editor, organizaram um livro, lindamente ilustrado por FabriceMoireau.

 

973bef52-9cbb-49ef-91c2-fac3a36cf376Três novelas femininas (Zahar, R$ 39,90), de Stefan Zweig  reúne  os maravilhosos  Medo, Carta de uma desconhecida e 24 horas na vida de uma mulher. Românticos, encantadores, arrebatadores, os textos falam de mulheres que sofrem  em decorrência de amores socialmente condenáveis, pelos quais não medem as consequências.

 

7c53c6f2-bd92-4251-b683-615431f2798fO último verão (Bertrand Brasil, R$ 30 ), da italiana Cesarina Vigna,  ganhou o prêmio Campiello, em 2010, e foi finalista do Stregha, a mais importante premiação literária de seu país. Escrito praticamente no leito de morte da autora, que sofria de uma rara doença fatal e degenerativa, o livro fala de suas origens, deixando de lado qualquer laivo de doçura, na medida em que sua personagem autobiográfica chega à adolescência.

 

6405483e-bd03-4b74-a9a6-94a0ffdc8998Betibu (Verus, R$ 38) da argentina Claudia Piñeiro, traz uma escritora de romances policiais, um jovem repórter e um veterano jornalista investigando um crime ocorrido num condomínio de classe média alta de Buenos Aires. O thriller  retrata ainda a realidade contemporânea das redações de jornais na era da Internet.

 

b27b3b7c-459f-4993-828a-882505f4d50dColmeia (Record, R$ 40), de Gill Hornby, mostra um ano na vida de um grupo de mães de alunos de uma escola no interior da Inglaterra. Quase todas casadas, são lideradas por uma carismática perua, que determina as ligações de amizades, isolando as que perdem os maridos – por divórcio ou viuvez -, já que o casamento é o que determina a identidade e o status de cada mulher naquele ambiente.

 

7f0627a4-27ad-4678-9e78-c7ca1b0f38f1O casamento como coroamento do sucesso pessoal também é o pano de fundo do intrigante thriller psicológico A Mulher Silenciosa (Intrínseca, R$ 29,90), da canadense A.S.A. Harrison. A protagonista é uma mulher bem-sucedida profissionalmente, que se adapta às frequentes traições do marido, um descaradíssimo e atraente adúltero. A solidez de vinte anos da relação é abalada pelo caso do marido com a filha de seu melhor amigo.

 

b1fad24b-da55-4c21-9352-7527bbfe9079Recordações melancólicas, o desconforto do não pertencimento à sociedade convencional, o rompimento de tradições, a vida às escondidas, amores, dores, carinhos. Os 23 contos reunidos em Estranhas criaturas noturnas (Apicuri, R$ 37), vislumbram a intimidade de personagens comuns, de hoje ou do passado próximo num Brasil em mutação. Com este primeiro livro, o artista plástico Jozias Benedicto, especializado em arte visual, foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2012/2013. Vale a pena conferir por quê.

 

1bec45dc-219f-41fa-bd0f-4c27fbe0a0aeInspirada pelo caso real do falsário Clark Rockefeller, que sequestrou a própria filha para passar mais tempo com a menina, a americana Amity Gaige fala sobre a recriação da própria identidade  por um imigrante alemão, que, aos catorze anos, adota um nome novo. Schroder (Intrínseca, R$ 24,90), o protagonista, desmonta a cuidadosa farsa que inventou ao partir em direção ao Canadá com a filha, depois de perder a guarda da menina.

 

05f2f8d5-4fca-4c39-a729-aeb772e5ecffA história do menino inglês criado por macacos na África é para lá de inverossímil, mas conquistou leitores no mundo inteiro graças ao estilo arrebatador de Edgar Rice Borroughs. Um dos melhores lançamentos da coleção Clássicos Zahar: a edição comentada e ilustrada de Tarzan, o filho das selvas (Zahar, R$ 54,90) traz, como brinde, 40 desenhos do mestre Hal Foster.

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O encanto artificial de Gabrielle Zevin

Existe uma rede de livrarias no Rio de Janeiro que tem excelente acervo, ar condicionado funcionando a contento e  bela decoração.  A livraria escolhe bem seus vendedores, todos têm formação universitária e conhecem literatura. No entanto, falta a eles o gosto em cativar o público. Este é mantido sempre deslocado naquele ambiente tão planejadamente boêmio, pretensioso e contemporâneo.

A vida do livreiro A.J. Fikry (Paralela, R$ 24,90) atrai exatamente como a livraria  encanta: pelo exterior. Uma linda capa, formando um prédio com livros como janelas abertas. Há muitos anos li um livro para “jovens adultos” da autora, a americana Gabrielle Zevin. Jovem adulto é um gênero que se dirige a um público, digamos assim, imaturo para a literatura, mas que não assume seu gosto publicamente. E a autora, embora com graduação em Harvard, poderia se dedicar mais a esse nicho literário do que tentar criar ficção  baseada na paixão pelos livros.  88057_gg

A construção do romance é tão convencional que surpreende a escorregadela  nos trechos em que deveria apresentar força criativa: bilhetes do livreiro para a filha, e no conto que a jovem, aspirante a escritora, inscreve num concurso. Trechos que são escritos exatamente da mesma forma que o restante do livro, sem qualquer marca de originalidade de cada autor. A capa vende mais do que um romance de entretenimento, sem qualquer tentativa de humor no estilo chick lit ou personagens que suplantam desgraças para construir um império industrial qualquer. Os personagens de Zevin são gente pra lá de banal, sem feitos extraordinários, que necessitam da aparição de um elemento externo (no caso, um bebê) para dar sentido a suas vidas destituídas de charme. O cenário da redenção e transformação é uma livraria que reúne quem gosta de qualquer tipo de literatura. Não faltam mistérios: um original precioso de Edgar Allan Poe desaparecido e  a razão para a mãe da criança abandoná-la na livraria. Tudo recheado com observações e citações de autores diversos, que, no entanto, não estabelecem qualquer tipo de cumplicidade com o leitor. O artificialismo das passagens, construídas para seduzir quem as lê, é o mesmo da livraria carioca: linda, atraente, mas afetada. Uma pitada de humor poderia tornar a narrativa tão cuidadosamente arquitetada em uma peça de puro entretenimento, calorosa e original, que não lograsse quem se deixa encantar pela bela imagem externa.

Perfeito para oferecer aos fãs de novelas moralistas, tocantes e românticas.  E só.

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Temporada de leituras leves

27 de dezembro de 2014

Janeiro, mês de férias pra boa parte das gentes. Época de leituras leves, combinando com os dias quentes, que são melhores se há possibilidade de recostar-se numa boa rede. Fora aqueles tsondukus – a palavra japonesa que significa “livro empilhado sobre outros, folheados, que aguardam uma oportunidade futura para serem lidos – tradicionais que me acompanham todos os anos, a temporada tem atrações interessantes, que listo aqui.

O leopardo_Capa CURVASPolicial – O Leopardo (Record, R$ 45) é a última aventura do detetive Harry Hole,  que se muda para  Hong Kong e logo se depara com cruéis assassinatos de mulheres, por um matador em série. O norueguês     Jo Nesbo, é hoje o principal representante da literatura policial escandinava, com tramas firmemente baseadas na realidade socioeconômica da sociedade atual.

arteterapiagrandeAutoajuda – Alain de Botton é um daqueles autores que conseguem dar alguma respeitabilidade à autoajuda. Arte como terapia (Intrínseca, R$ 49,90), que assina com John Armstrong, é um desses livros que exige reflexão inteligente do leitor em busca de respostas ou alívio para suas dores de alma. Pincelando noções de psicologia e filosofia, ele mostra como a arte retrata situações de vida, levando à transformação de angústias em  alegrias pela autodescoberta. Cada reflexão é ilustrada por espetaculares imanges de  artistas como Matisse, Vermeer e John Constable.

livro_0mqcHPRomance histórico – Bernard Cornwell é um especialista em sagas ficcionais sobre momentos da História – sempre envolvendo muita luta, muita guerra e pouca diplomacia. Já escreveu sobre lendas da Inglaterra, como a Távola Redonda, e as guerras napoleônicas. Agora, inicia uma nova série, As Crônicas de Starbuck, sobre a guerra civil americana. O primeiro volume é  Rebelde (Record,R$ 45), que tem como protagonista o jovem nortista Nathaniel Starbuck, que, desiludido de amor, acaba lutando ao lado dos sulistas. Descrições curtas definem os personagens, os diálogos são enxutos e a trama hipnotiza o leitor.

CAPA_MaxPerkins_(243x349)Biografia – Max Perkins, editor de gênios (Intrínseca, R$ 44,90), de A. Scott Berg conta a vida de um dos principais protagonistas da cena literária norte-americana no século XX. O livro é interessantíssimo porque mostra o outro lado dos escritores e o impressionante instinto de Perkins para encontrar novos talentos, como Ernest Hemingway, Thomas Wolfe e F.Scott Fitzgerald. Um filme baseado no livro deve chegar às telas em 2015, com Colin Firth como Perkins, encabeçando um elenco de estrelas, entre eles  Guy Pearce e Jude Law.

6e27ca6e-1c93-48e1-946b-8b09f22e79beHistória – Eu era bem jovem quando li uma adaptação de Nicolau e Alexandra (Rocco, 59,50), de Robert K. Massie, na revista Seleções. Na época, fora lançado um filme sobre o último czar russo e sua mulher. Foi quando li, pela primeira vez, sobre os ovos Fabergé, Rasputin, as belas filhas do casal (uma delas, claro, Olga) e o brutal assassinato da família pelos revolucionários. O entusiasmo de menina encantada com os aristocratas que realmente existiram não é o mesmo, mas a curiosidade em reler valeu a pena.

Os últimos preparativos_CapaRomance – A reunião de uma família de alta classe média para o casamento de mais velha de duas irmãs faz eclodir todo o tipo de desejos, quase sempre envolvendo vingança e traição. Os últimos preparativos (Record, R$ 32), livro de estreia de Maggie Shipstead, já atraiu atenção da crítica, recebeu alguns prêmios literários e teve os direitos adquiridos para a adaptação cinematográfica por Sophia Coppola.

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Lista de Natal 3 – A escolha final

20 de dezembro de 2014

Última leva de sugestões natalinas – mais extensa para agradar a leitores de todas as idades e gostos. As ofertas nas livrarias estão bem atraentes, mas na Internet, os descontos costumam ser mais generosos ainda. Boas compras e feliz Natal!

Natalinos:

cbb0f843-a31a-40b4-ae9e-d84062c66200O presente do meu grande amor – Doze histórias de Natal (Intrínseca, R$  29,90  ), organizado por Stephanie Perkins, resgata a tradição dos contos natalinos. Criados por autores populares entre leitores jovens, como Gayle Forman, eles tratam de esperança, amizade, harmonia e família através de personagens adolescentes, em sua maioria, falando sobre cristandade, compreensão, tolerância e diferenças em crenças religiosas ou conduta amorosa.

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Uma chance para recomeçar (Novo Conceito, R$  29,90), de Lisa Kleypas, conta a descoberta da ternura por dois irmãos solteirões, que têm de assumir os cuidados com uma sobrinha pequena, depois da morte da irmã. A menina se encanta por uma jovem viúva, que também precisa aceitar um novo amor em sua vida, na época do Natal.

Biografia

livro_3CtIakTudo ou Nada (Record, R$ 55 ), de Malu Gaspar, conta a trajetória de Eike Batista, desde os tempos em que teria “ganhado o mapa da mina” do pai, ex-presidente da Vale do Rio Doce, ampliando os negócios e chegando a seu apogeu, como integrante da lista dos homens mais ricos do mundo até a falência. Com detalhes sobre sua movimentada fase como marido da exuberante Luma de Oliveira.

0a7b7223-7b3d-4cfb-99cf-aba9c65db5c9Autobiografia: o mundo de ontem (Zahar, R$ 59,90), de Stefan Zweig, é um interessante estudo sobre a sociedade vienense antes da Segunda Guerra Mundial, entremeada ao relato de suas próprias realizações como escritor. O último episódio descrito é, num cartório em Bath, Inglaterra, onde Zweig está marcando seu casamento para o dia seguinte, quando um funcionário entra anunciando que os nazistas invadiram a Polônia. Três anos mais tarde, às vésperas de suicidar-se, no Brasil, ele concluiria suas memórias.

Política

506b5c6a-3e02-4751-9a0d-7108904aad61Mascarados – A verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc (Geração, R$   34,90 ), da socióloga Esther Solano, do jornalista Willian Novaes e do economista Bruno Paes Manso, analisa as manifestações de junho de 2013 no Brasil e suas consequências na vida brasileira. Um perfil dos manifestantes, suas motivações, o que se obteve com o movimento e os reflexos na política são mostrados. As conclusões a respeito, talvez, fiquem para um futuro mais distante historicamente dos acontecimentos, mas o registro é muito interessante.

Thriller

livro_xtQyNYOeste: A guerra do jogo do bicho (Record, R$ 35), de Alexandre Fraga, é quase um roteiro cinematográfico, que lembra os mais bem-sucedidos favela-movies contemporâneos. Diálogos bastante realistas acompanham as descrições da versão ficcionalizada de uma situação que aconteceu, nos anos 1990: a guerra pelo controle do jogo no Rio de Janeiro, quando as apostas no bicho ficam abaixo do lucro que a contravenção obtém explorando máquinas caça-níqueis.

Policial

livro_KE6ICzCaçada Mortal (Record, R$ 40), do veterano Lawrence Block, traz um de seus principais personagens, o  detetive Matt Scudder, contratado por um traficante de drogas para descobrir quem sequestrou, matou e esquartejou o corpo de sua jovem mulher. Adaptado para o cinema, o filme tem Liam Neeson no papel principal – e estreia prevista para dezembro, no Brasil.

O Bicho- da-Seda (Rocco, R$ 39,50), é a segunda aventura do detetive

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particular londrino Cormoron Strike e sua secretária-assistente Robin Ellacout, desta vez às voltas  com o sumiço de um escritor. Assinado por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, Cormoron deverá ter uma série de mais sete mistérios a resolver.

Infanto-juvenil

Leo e a baleia (Paz e Terra, R$  35), de Benji Davies, é uma encantadora história de amizade, amor e proteção ao

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meio ambiente para crianças pequenas. Leo vive com o pai, pescador, e muitos gatinhos numa casa à beira-mar. Ao encontrar um filhote de baleia na praia ele aprende a importância de respeitar a natureza e a intensidade dos laços de família.

b6f1d954-09b8-42e9-aa6b-cc356a6c7c4aMartin e Rosa (Pequena Zahar, R$ 39,90), de Raphaele Frier, fala sobre a importância das atuações de Martin Luther King (Prêmio Nobel da Paz de 1964) e Rosa Parks, presa por recusar-se a ceder seu lugar no ônibus a um branco, na luta pela igualdade de direitos dos negros norte-americanos. O boicote às companhias de ônibus da cidade de Montgomery, no Alabama, depois da prisão de Rosa, durou mais que um ano, nos anos 1950, desencadeando a mudança na legislação segregacionista dos Estados Unidos.

65297203-bd3c-4c12-9d61-6d3bd1b72e2eA vingança dos sete (Intrínseca, R$ 29,90) é o quinto livro da série Os Legados de Lorien, que conta a saga de nove crianças e seus guardiões, que escaparam de um planeta destruído pelos cruéis mogadorianos. Exilados na Terra, onde poderão garantir a sobrevivência da espécie, eles continuam fugindo dos megadorianos. A série já vendeu mais de 200 mil exemplares apenas no Brasil.

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