Para ler na rede

Para os amantes dos livros

Em 19 de abril de 2013

Aumentam, de alguns tempos para cá, os títulos sobre bibliofilia, que tratam dos cuidados e da paixão dos colecionadores de livros. Atualmente, editoras, livrarias e escritores têm popularizado o termo, classificando o gênero de “livros sobre livros”.

fantasmaSempre que abro um desses livros sobre livros, sinto-me em casa ou encontrando um novo sócio do clube a que pertenço secretamente, um cúmplice, outro devoto de minha causa. Sensações que me invadiram no momento em que me deparei com as primeiras páginas de Fantasmas na biblioteca – A arte de viver entre livros(Civilização Brasileira, R$ 29,90), de Jacques Bonnet. Um dos mais renomados bibliófilos do mundo, Bonnet é alguém que eu conheço intimamente. Afinal, ele enfrenta as mesmíssimas perguntas dos visitantes (“Já leu todos esses livros?” é a mais recorrente), se angustia ao ver empilhados os volumes que chegam da rua – que parecem brotar em sua casa, não que foram comprados ou enviados por alguém -, além de falar sobre escritores e suas obras como se tratasse de jogadores de futebol ou artistas, aquelas celebridades que todos nós conhecemos e cujas vidas acompanhamos com curiosidade. Juntando cinema e televisão às observações sobre literatura, ele consegue tornar seu tema ainda mais atraente para os anacrônicos que amam livros.

conversandoOs fantasmas do título estão no último dos nove textos do livro, em que ele discorre sobre não apenas a organização de uma biblioteca, mas também quais volumes devem ser excluídos das estantes. Porque, como Bonnet explica no parágrafo final, os livros são como “casas antigas, carregadas da presença dos homens e das mulheres que lá viveram no passado, com seus quinhões de alegrias e sofrimentos, de amores e aversões, de surpresas e decepções”. Poeticamente, ele lembra os personagens reais e fictícios com quem convive: “os reais são os personagens ditos imaginários das obras literárias, os fictícios são seus autores”, para se estender sobre o quanto se desconhece da biografia dos escritores e o que os inspirou a criar suas obras. Este é o tema de Conversando com Mrs. Dalloway – A inspiração por trás dos grandes livros de todos os tempos (Casa da Palavra, R$ 39,90), da especialista em literatura Celia Blue Johnson, que elenca situações – ou personagens reais – e seus correspondentes em 50 clássicos da ficção. A socialite Mrs. Dalloway, criada por Virginia Woolf, combinaria diversas mulheres que passaram pela vida da escritora, como uma amiga de sua mãe e sua ex-namorada Vita Sackville-West. Edmond Dantés, o Conde de Monte Cristo,  de Alexandre Dumas, se assemelha ao sapateiro  François Picaud, que passou sete anos preso, acusado de um crime que não cometeu, e que se tornou milionário ao sair da cadeia, depois de receber a herança de um outro prisioneiro. De volta a Paris, ele assassinou todos os que o haviam traído anteriormente. Os motivos que levam à criação também são relatados por Celia Johnson. O mais conhecido talvez seja o concurso de contos de terror sugerido pelo poeta Byron a um grupo de hóspedes em sua casa na Suíça, que levou a jovem Mary Shelley a imaginar a história do médico Frankenstein e suas experiências para dar vida a um morto.

 

dicionariodelugaresimaginariosA passagem da realidade à ficção ganhou um verdadeiro guia de viagens no Dicionário de Lugares Imaginários (Companhia das Letras, R$ 75), de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi. Os cenários podem ter pouco a ver com o mundo que conhecemos, como o mundo de Oz, a Terra Média, Nárnia, Lilliput – ou o Sítio do Pica-pau Amarelo e Antares, que constam da edição brasileira -, mas ganharam informações históricas, sociais, culturais – e até gastronômicas. Também estão listados locais que já não existem como a Pasárgada de Manuel Bandeira – uma cidade da antiga Pérsia, onde hoje só restam ruínas.

 

partiesO último livro sobre livros que me veio às mãos é uma compilação de 200 trechos de romances, contos ou poemas que se situam em festas. Parties – A Literary Companion(The Overlook Press, R$ 15 – em sebos), de Susanna Johnston, traz desde as festas em que Romeu e Julieta se encontram, na Verona renascentista, aos Anos Loucos, da década de 1920, de F. Scott Fitzgerald e Dorothy Parker. Não falta é festa, cantada em prosa e verso por autores como Shakespeare, Tolstoi, Noel Coward, Guy de Maupassant, Somerset Maughan, Proust, Lampedusa e até a Bíblia – com trechos dos Evangelhos que contam a parábola do Filho Pródigo e a Última Ceia.

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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