Para ler na rede

Mais leituras de feriadão

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E se no meio do feriado sobrar tempo e faltar ideia do que ler? Como a última listinha foi modesta, complemento sugestões aqui. Alguns já li, outros estão em processo de leitura. Se der tempo, acabo um ou dois até o dia de São Jorge, que também é o dia de nascimento e de morte de William Shakespeare, o homem que desvendou a alma para a literatura.

Biografia – Por que ser feliz quando se pode ser normal? (Record, R$ 42), da inglesa Jeanette Winterson é mais do que um relato sobre sua vida. Entremeado com reflexões sobre a existência e o não-pertencimento, ela fala da mãe adotiva, uma fanática religiosa, do pai presente, mas omisso, como muitos homens de sua geração, e dos conflitos gerados pela sua simples presença na casa, principalmente, depois das opções que fez pela literatura e por assumir publicamente seu homossexualismo. A opressão religiosa é apenas uma das barreiras que Jeanette derruba, enquanto se firma perante a mãe, como pessoa e como artista.

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Romance – Mr. Gwyn (Alfaguara, R$ 39,90), de Alessandro Baricco, traz como protagonista um escritor que decide abandonar a ficção e dedicar-se a criar retratos – escritos – de pessoas que pagam por obras únicas, jamais reveladas ao leitor. Baricco é um exímio contador de histórias, tendo idealizado e coordenado a coleção Save the story, publicada aqui pela Galera Record, que traz versões de escritores sobre obras clássicas, entre elas Os Noivos (Galera, 29,90), de Alessandro Manzoni, recriada por Umberto Eco. Por isso, com seu estilo requintado, consegue enredar o leitor numa discussão sobre propriedade de criação e liberdade artística, tudo dentro de uma narrativa aparentemente simples e linear, que esconde uma profundidade pouco encontrada em trabalhos contemporâneos.

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Matemática – Em busca do infinito – uma História da Matemática dos primeiros números à Teoria do Caos(Zahar, R$ 54,90), de Ian Stewart, é leitura boa até para quem tem pavor de cálculos ou números. Ao traçar a linha entre os primeiros símbolos para contar, na Mesopotâmia, até os problemas que desafiam os cientistas da atualidade, Stewart desmistifica ideias essenciais da Matemática, destacando as descobertas ao longo dos tempos e suas aplicações nos dias de hoje.

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Policial – Porto Inseguro (Rocco, R$ 49,50), da irlandesa Tana French, tem a chacina de uma família, da qual a única sobrevivente é a mãe, alvo das investigações dos detetives Mickey Kennedy e Richie Curran, da Divisão de Homicídios de Dublin. À tensão da vida moderna numa cidade grande, fator importante para o crime, soma-se a cobertura da imprensa, atenta ao trabalho dos policiais, que têm na solução do caso uma possibilidade de projeção profissional mais do que desejada. Tana French é uma colecionadora de prêmios literários, entre eles o Edgar, o de maior destaque no gênero suspense, que recebeu por sua estreia como escritora.

portoinseguro

Infanto-juvenil – Colin Fischer (Novo Conceito, R$ 29,90), dos roteiristas de cinema e TV Ashley Edward Miller e Zack Stentz, tem o estilo de livros destinados a jovens de outros tempos. Colin tem 14 anos e é mais um observador do que participante da vida social de seu colégio. Admirador de Sherlock Holmes, ele vai usar seus conhecimentos dedutivos para descobrir o responsável pelo disparo de um revólver na cantina da escola. Um bom protagonista, uma história ágil, tão agradável como um filme de Sessão da Tarde.

colinfischer

A morte de Gabriel Garcia Marquez é sentida por seus milhões de leitores como a de um parente próximo. Conviver com seus personagens e partilhar suas histórias foi parte de minha infância. Eu me lembro do furor causado por Cem Anos de Solidão (Record, R$ 52 ), que minha mãe e uma amiga liam ao mesmo tempo. Quando se encontravam, comentavam sobre o desenrolar da vida dos Buendia como quem discute personagens de telenovelas brasileiras. Acabei lendo Cem Anos numa madrugada inteira. Não consegui parar. Assim como meu favorito, Crônica de uma morte anunciada (Record, R$ 38), que quase me fez perder o ponto de saltar, numa viagem de ônibus entre Ipanema e o Centro do Rio. De Garcia Marquez só posso dizer que qualquer leitura é recomendável. Gracias, Gabo!

cemanosdesolidao

 

garcia marquez

 

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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