Para ler na rede

A retomada

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Feriadão que marca o início oficial do calendário brasileiro, o Carnaval é uma festa para quem procura botar a leitura em dia. Por mais estranho que pareça, mesmo quem vive de livro na mão, por prazer e por obrigação profissional, tem sempre uma leitura imprescindível que foi deixada de lado. Aproveito, então, o período para retomar algumas delas – e iniciar outras que me farão adiar mais uma ou duas, alimentando um infindável ciclo de dívidas comigo mesma.

Por esses dias, retomo, então, leituras que em algum momento me pareceram pessoas com quem senti imediata afinidade – e intimidade – assim em que travamos nosso primeiro contato. Há quatro anos abri Com os Mortos Não se Brinca (Suma de Letras, R$ 38), de Andreu Martin e Jaume Ribera, e me senti, imediatamente, à vontade dentro da agência de detetives especializada em flagrantes de adultério. Os autores, que também escrevem histórias em quadrinhos, escreveram em catalão – o que lhes rendeu prêmios específicos para novelas policiais no idioma. Fiquei nas primeiras páginas por absoluta preguiça – ou talvez temor – de continuar lendo e me frustrar com os divertidos personagens, delineados a partir da ótica do protagonista, o investigador Angel Esquius.

comosmortosnaosebrinca

Semelhante surpresa agradável tive ao abrir Selvagens (Intrínseca, R$ 22,90), o thriller de Don Winslow, que virou filme com John Travolta, Benicio Del Toro e Salma Hayek como os maus que atormentam jovens produtores e traficantes de maconha na California. As páginas iniciais são tão envolventes e divertidas que é mais do que certo que vem sangue, suor e lágrimas pelos capítulos à frente. Na onda dos thrillers, pretendo ainda concluir a leitura de Dália Negra (Record, R$ 22 ), de James Ellroy, um livro que já nasceu clássico e praticamente pronto para a excelente adaptação cinematográfica de Brian de Palma. Ellroy aproveitou o caso jamais resolvido do assassinato de Elizabeth Short, uma jovem cujo corpo foi encontrado desmembrado e com cortes profundos na pele, para desenvolver uma trama impecável de suspense, com dois detetives tentando desvendar o crime.

selvagens

dalianegra

O duro, mas sarcástico e dinâmico, relato da jornalista Emma Forest sobre sua luta contra a depressão, a automutilação e péssimos relacionamentos amorosos é daquele tipo de texto que inebria o leitor. As memórias de Emma estão em Sua voz dentro de mim (Rocco, R$ 28) e não demonstram qualquer autoindulgência em relação a seus problemas. Sofrido, com a dose certa de emotividade, sem descambar para a total derrocada de uma personalidade que sofre de sérios distúrbios psicológicos, que não chegam a afetar sua objetividade para descrevê-lo.

suavozdentrodemim

Hora de parar de escrever e iniciar a retomada das leituras perdidas. Até o reinício de 2014!!!!

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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