Para ler na rede

Mais olhares sobre a Rede

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Democratização da informação, da cultura e do conhecimento, ausência de privacidade, de controle e de formação, estresse pela urgência na entrega de tarefas, falta de tempo. Qualquer análise sobre a Internet, hoje, atribuirá à rede alguma perda ou ganho descritos na frase anterior.  O futuro, para alguns dos que refletem sobre este momento de mutação, traz infinitas possibilidades de paz e entendimento entre as nações. Outros, no entanto, apostam na vigência de hábitos culturais arraigados.

mariovargasUm ponto comum entre todos esses estudiosos seria o quanto a Internet contribuiu para reduzir a noção de autoridade.O romancista peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, aponta o início do descrédito da autoridade, principalmente no campo da educação, como anterior aos movimentos de 1968, na França. O poder, no entanto, observa Vargas Llosa em A civilização do espetáculo (Objetiva, R$ 34,90), “não foi minimamente afetado” pela “insolência simbólica” dos jovens manifestantes, que não impediram a vitória esmagadora da direita gaullista nas eleições seguintes.
RedesDeIndignacaoEEsperancaUm dos arautos da mobilização global dos novos tempos, o sociólogo espanhol Manuel Castells, há quase 20 anos já alertava para a desintegração dosmecanismos de controle social, impulsionada pela “abstração do poder em uma rede de computadores”. As manifestações que eclodiram mundo afora após a Primavera Árabe, em 2011, são revistas por Castells em Redes de Indignação e Esperança – Movimentos sociais na era da Internet (Zahar, R$ 49,90). A edição brasileira ganhou um posfácio do autor sobre o movimento Passe Livre e os manifestos populares que o sucederam.

 

CAPA ANovaEraDigitalJá o presidente executivo do Google, Eric Schmidt, e o diretor do Google Ideas, Jared Cohen, apostam que a Internet estimula de tal maneira o comportamento altruísta, que, no cenário mundial, a difusão das tecnologias de comunicação ajudará a deslocar a concentração de poder das instituições e governos para os indivíduos.Em A Nova Era Digital (Intrínseca, R$ 29,90), Schmidt e Cohen demonstram acreditar na melhoria da qualidade de vida no planeta, graças à tecnologia, à solidariedade inata da maioria das pessoas, à possibilidade de comunicação sem mediadores e, também, à necessidade de projeção social de algumas figuras proeminentes, como artistas e celebridades em geral.

 

naofazsentidoProduto típico da atual revolução tecnológica, o video blogger Felipe Neto lança Não faz sentido – Por trás da câmera (Casa da Palavra, R$ 34,90), contando sua trajetória de sucesso desde que lançou um programa pela Internet, com críticas mordazes a filmes, livros e preferência musicais da massa infanto-juvenil, como a série Crepúsculo e os cantores Justin Bieber e Fiuk.  Do relato sarcástico e autodepreciativo de Felipe, que revela até os cachês recebidos nas aparições em festas, contratado por promotores de eventos, emerge o perfil do empreendedor dos novos tempos, aquele que desponta do anonimato para o sucesso sem apoio de um sistema que ainda busca integrar-se aos fenômenos da Era da Informação.

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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