Para ler na rede

Indicado para menores

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O mercado editorial se divide em antes e depois de Harry Potter. A série do bruxinho, voltada para o público de 12 a 16 anos, conquistou leitores adultos e impulsionou as vendas do gênero infanto-juvenil, que se estendeu até a categoria “jovens adultos”. Em outras eras, jovens heróis não pretendiam atingir determinadas faixas etárias. Arthur de Pedragon, D’Artagnan, Macunaíma e Holden Caufield rodam o mundo se aventurando, principalmente, porque são “mocinhos”, com histórias abertas a leitores de qualquer idade.

Como hoje a literatura infanto-juvenil se esconde sob diversos subgêneros – há muito marmanjo encantado pelo universo fantástico de Tolkien, que, em priscas eras, tinha classificação de livro infantil -, tenho um interesse especial em descobrir o que andam direcionando às jovens mentes. Esta semana, andei folheando livros que tratam de um universo jovem, mas que nem sempre querem se limitar àquele grupo.

nadaCom excelente vendagem na Europa, chega ao Brasil Nada (Record, R$ 29,90), da dinamarquesa Janne Teller. Lançado em 2000, gerou polêmica antes de receber prêmios de crítica e ser traduzido para 22 países. Um grupo de estudantes decide se desfazer de objetos aos quais têm grande apego para convencer um colega, que conclama os demais a abandonarem a escola, já que, um dia, todos morreremos, sobre a importância da vida. Tudo é amontoado numa pilha, que começa com uma coleção de livros e uma vara de pescar. Aos poucos, a pilha se torna cada vez mais inusitada, exigindo sacrifícios dos colegas, que obedecem às determinações do grupo, mesmo sofrendo muito. Mórbida e pesada, a história nos apresenta uma autora que não tem o menor temor de ser moralista ao escrever para jovens.

as-memorias-perdidasNum mercado dominado por distopias e erotismo, a delicada capa florida de As memórias perdidas de Jane Austen (Record, R$ 39,90), de Syrie James, se destaca pelo romantismo. O romance usa a escritora inglesa como personagem de uma trama que ela bem poderia ter criado. O texto que copia o estilo de Austen inebria o leitor nos primeiros capítulos. No entanto, Syrie não é Jane Austen, o que prejudica consideravelmente o andamento do enredo, que tenta tornar parte da vida da escritora cenas que ela descreveu em suas histórias.

 

 

a-peculiar-tristezaA peculiar tristeza guardada num bolo de limão (Leya, R$ 39,90), de Aimee Bender, é contada por uma jovem protagonista judia, que percebe a descobre os sentimentos de cada um que lhe prepara algo para para comer. O realismo fantástico é o pano de fundo que explica o amadurecimento pessoal da personagem, que tenta compreender a insatisfação da mãe, a paranoia do pai, as dificuldades de relacionamento da avó e do irmão. O estranho universo onde transita a peculiar família pode ser identificado por diversos jovens leitores, embora o livro exija alguma maturidade para sua melhor compreensão.

 

vovo-vigaristaA percepção da estranheza da família, algo que surge na pré-adolescência, é o principal motivo de aborrecimento de Ben, o protagonista de Vovó Vigarista (Intrínseca, R$ 24,90). Na divertidíssima e sentimental trama criada pelo comediante britânico David Walliams, o menino odeia as sextas-feiras, quando é obrigado a ficar com a avó porque os pais vão assistir a apresentações de dança de salão. Por acaso, ele descobre que a velhinha de 90 anos, que gosta de jogar palavras cruzadas e oferecer pratos à base de repolho, leva uma vida dupla: por trás da tranquila fachada, se esconde uma ardilosa ladra de joias. O livro é irresistível para leitores de todas as idades.

 

mandelaPolítica nem sempre interessa a crianças, mas é difícil não se encantar comMandela – o africano de todas as cores (Pequena Zahar, R$ 39,90), de Alain Serres. Através da vida e da luta de Nelson Mandela, desde a época em que vivia fora dos grandes centros, Serres traça um panorama – em linguagem acessível – sobre a política segregacionista da África do Sul e o homem que passou 27 anos na cadeia por seu trabalho para derrubar o apartheid.

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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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