Um cânone muito pessoal

Qui, 01 de Novembro de 2012 19:54
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Há alguns anos, num 11 de setembro, em algumas cidades ao redor do mundo diversas pessoas deixavam livros pelas ruas, tentando dar à data um cunho transformador. Na ocasião, minha forma de exorcizar a dor coletiva foi montar uma lista de livros que, naquele momento, eu considerava bons para uma reconstrução pessoal. A mesma relação singela que já foi entregue a filhos, como recomendação para vida. Se eu morrer cercada por parentes e amigos, certamente, indicarei algum livrinho a eles.

Não há ordem de preferência na lista, incompleta, claro. Faltam todos os Dumas, Machado, Scott Fitzgerald e tantos outros mais.

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O Pequeno Nicolau (Martins Fonte, R$ 40,10)– As aventuras de um menininho, seus pais e os amigos de colégio, na França da década de 60, contadas por René Goscinnye Jean-Jacques Sempéjá foram traduzidas para 37 idiomas. Histórias inéditas, descobertas pela filha de Goscinny, receberam novas ilustrações de Sempé e oito livros, lançados pela Rocco (R$ 20, cada volume).

 

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Uma casa na floresta (Bestbolso, R$ 14,90)– Quem foi menina nos anos 60/70 conheceu as aventuras de Laura Ingallse sua família de pioneiros por diversos estados norte-americanos. Viveram em Iowa, Minesotta e outras lonjuras, dentro de territórios dos índios. Ficção em cima da realidade, os livros originais só são encontrados em sebos.

 

 

Léxico Familiar (Cosac Naify, R$ 65)–A italiana Nathalia Ginzburg conta com muito humor a vida de sua família, através das expressões e frases repetidas pelos avós, pais e irmãos. Gostoso como um filme de Fellini.

Os Meninos da Rua Paulo (Cosac Naify, R$ 39)– A bela história do húngaro FèrencMolnarme fez desejar ser menino e, um dia, ter aulas de química que utilizassem Bicos de Bunsen.

 

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Minha família e outros animais (José Olympio, R$ 15 – em sebos) –Li, a primeira vez, no original e me encantei com a idílica infância de Gerald Durrell na ilha grega de Corfu, antes da Segunda Guerra Mundial. Irônico, ele não se cansa de ridicularizar sua excêntrica família, em especial o irmão mais velho, o romancista Lawrence Durrell.

 

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Bartleby, o Escrivão (Cosac Naify, R$ 41) – A mais impressionante novela sobre o ser humano, de Herman Melville. Uma experiência que só um leitor pode descrever.

 

 

Os Doze Trabalhos de Hércules (Globo, R$ 64) – Todo o Monteiro Lobato foi amado por mim com intensidade, desde Reinações de Narizinho, mas este livro me apresentou à mitologia grega e aos mitos que me levaram a compreender os arquétipos literários, a antropologia e a desvendar os mistérios da mente.

As aventuras de Tom Sawyer (Panda, R$ 27,90) – Sonhei com aquela vida de moleque, no papel de Becky, a namorada de Tom. Abriu minha cabeça para a literatura satírica e todo o Mark Twain.

Mulherzinhas (Melhoramentos, R$ 49) – Atire a primeira pedra quem não se identificou com a impetuosa JoMarsh. Relendo, em adulta, é que percebi que Louisa May Alcott era uma autora de primeiro escalão, não apenas de literatura para mocinhas.

 

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Junky (Ediouro, R$ 49,90)– A fissura de William S.Burroughs por qualquer droga pesada causa náuseas, mas fascina.Um relato duríssimo sobre a experiência de um homem inteligente com a dependência química – com uma análise nada benevolente do que o consumo de tóxicos provoca no organismo. campanhas antidrogas.

 

a-sangue-frioA Sangue Frio (Companhia das Letras, R$ 59,90) – Faz qualquer um querer ser jornalista. Truman Capote relata magistralmente a chacina de uma família no interior dos Estados Unidos, além de acompanhar a ação judicial e a execução dos dois assassinos. Parece queCapote vendeu a alma ao diabo para escrevê-lo. Entende-se por quê.

 

 

A Casa de Papel (José Olympio, R$ 10 – em sebos) – Um precursor de blogs, conta a história da família da escritora franco-belga Françoise Mallet-Joris, com muitas crianças, bichos, empregadas e agregados. Tudo sem muita ordem, como uma gaveta de escritos, um caderno de anotações.

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Um Ano na Provence (Rocco, R$ 32 )– Dizem que o inglês Peter Mayle é detestado pelos vizinhos desde que relatou as obras de sua casa na Provence e ajudou a ampliar o fluxo turístico na região. O livro nos faz sentir perfumes e sabores de férias, de sol, de viver bem.

 

 

Possessão, uma fantasia (Companhia das Letras, R$ 40 – em sebos) – Durante um longo período, o livro, que ganhou o BookerPrize, foi minha companhia em qualquer ambiente. Eu não queria jamais que acabasse a aventura de dois amantes de literatura à procura de um romance entre dois poetas e a disputa com um grupo de caçadores de manuscritos. Já conhecera A.S. Byatt, que eu conhecera antes nos belos contos de Histórias com Matisse.

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Crônica de uma Morte Anunciada (Record, R$ 34,90)– Li numa viagem de ônibus entre Ipanema e a Praça Onze. Curtinho e perfeito, esta novela de Gabriel Garcia Marquez é um script cinematográfico em forma literária.

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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