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Mundo que muda

Sáb, 23 de Junho de 2012 00:23
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A Rio + 20 trouxe discussões sobre o futuro do planeta que acompanhei 20 anos atrás, quando não se acreditava realmente no aquecimento global. A previsão é que os próximos dias serão de calor aqui nos trópicos, o que já não espanta qualquer carioca. A exuberância de algumas atividades, com índios vestidos a caráter e mulheres despidas da cintura para cima, lembrao carnaval, que atrai visitantes para a festa, enquanto muitos nativos aproveitam os dias de folia para fugir do burburinho da cidade. E é nesse clima temperado e abafado que se discute o futuro do planeta, pensando em atitudes culturais, ecológicas e políticas, que também estão em alguns livros.

A transição de um mundo em constantes – e céleres – transformações é analisada por George Friedman em A próxima década (Novo Conceito, R$ 32,90), sob uma ótica absoluta e totalmente norte-americana. Especialista em geopolítica, Friedman menciona o Brasil como um país de dimensões continentais cujo único “perigo” a oferecer aos Estados Unidos seria “se sua expansão econômica continuasse a ponto de desenvolver poder aéreo e naval para dominar o Atlântico entre seu litoral e a África Ocidental, região que não é patrulhada intensamente pelos Estados Unidos”, afirma o autor, que, teme que a Rússia se reerga e volte a fazer frente a seu país.

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Quem estaria no comando desse renascimento russo seria o presidente Vladmir Putin, cuja trajetória de agente da KGB até à presidência do país, após o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas é apresentadapela jornalista MashaGessen em Putin – A face oculta do novo Czar (Nova Fronteira, R$ 49,90). Ao contrário de Friedman, Masha, que vive em Moscou, acredita que Putin está próximo a deixar o poder, apesar da eleição de março, que o reconduziu ao comando dos destinos da nação.

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O mundo dividido por disputas eternas surge dolorosamente em Um Muro na Palestina (Record, R$ 39,90), de René Beckman. A dura realidade de povos que dividem um território separado por culturas diferentes está no belo texto que é quase uma reportagem estendida sobre o muro de mais de 650 quilômetros que o governo israelense levantou na Cisjordânia Fora os aspectos políticos, Beckman destaca a situação de amigos de diferentes etnias separadas pela construção e a rotina prejudicada pelo muro. Além da desvalorização da região, muitas pessoas que levavam minutos para chegar ao trabalho, hoje perdem horas no trajetopara contornar a barreira. Sem apresentar conclusões, o livro discute paz, expansão de territórios, invasão, direitos humanos e cultura.

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Um terço da humanidade é composto por pessoas introvertidas, entre elas algumas bem-sucedidas e famosas, como Barack Obama, Albert Einstein e Bill Gates, afirma Susan Cain em O Poder dos Quietos – como os tímidos e quietos podem mudar um mundo que não para de falar (Agir, R$ 29,90). O maior exemplo que encerra o subtítulo do livro vem de Rosa Parks, a mulher que recusou-se a ceder seu lugar no ônibus para um branco, e desencadeou, em 1955, o movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Um ato de resistência passiva que demonstra a força das pessoas reservadas – e determinadas.

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Para desanuviar de tantas angústias políticas, que tal pensar no quanto nossos rituais cotidianos estão impregnados de significados, como demonstra a jornalista Leusa Araújo no Livro do Cabelo (Leya, R$69,90)? A análise da simbologia que os cabelos suscitam trata desde a força bíblica de Sansão, passando por rituais religiosos, lendas e arte. Na introdução, múltiplas definições dos cabelos, entre elas “arma encantadora das sereias; poção para feiticeiros; coberto por véus, turbantes; enfeitado por guirlandas de flores; trançado, armado, colorido;(…) guardado em caixinhas; armazenado em contêineres; raspado, arrancado: ofertado em sacrifício”.

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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
Esse post foi publicado em Antropologia, Comportamento, Política e marcado , , , . Guardar link permanente.

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