Montanhas crescem em minha casa

Sex, 02 de Março de 2012 19:17
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Respaldada por Daniel Pennac, que garante entre os direitos do leitor o de não terminar um livro, observo, sem a menor culpa, montanhas de volumes que crescem em diversos pontos da casa. A cordilheira é maior no meu quarto – e dificilmente se reduz, já que depois de retomar uma leitura abandonada e transportar o livro até a morada permanente, em alguma estante, descubro sempre mais três ou quatro que chegaram para aumentar as colinas de folheados inacabados.

Abrir um livro novo é excitante como descobrir a possibilidade de um novo amor. A Clarice Lispector descreveu seu encontro de menina leitora com o texto como o de uma mulher com o amante. Enquanto esse reconhecimento não acontece, o livro me surge sedutor, prometendo prazeres que podem ser intensos, para a vida toda, ou ainda fugazes e descompromissados. No momento, penso em alguns deles, que me cercam – e eu os imagino com os olhares carentes de criancinhas em busca de carinho materno. Como se os livros tivessem vida própria, igual aos do filme que ganhou o Oscar de animação deste ano, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore – que pode ser visto no vídeo abaixo. http://youtu.be/rNjtZ5V4P-c

Tramas policiais, geralmente, se grudam em mim, mas resisti a uma, que só não carrego comigo para todo o canto pelo peso de suas quase 600 páginas. Comecei O último grito (Bertrand Brasil, R$ 59), de Lisa Jackson, intrigada com a fama da autora de “Rainha do Suspense Romântico”. Realmente, ela promove a junção do thriller com o romance rosa, pincelando momentos de paixão entre seus personagens, sem a mesma frieza ou realismo dos autores policiais. Fora a concessão ao erotismo e ao romance, neste livro há uma bem armada estrutura de mistério a partir de incêndios criminosos, que colocam em risco a vida da protagonista Cassidy Buchanan.

Romances góticos não saem de moda, mas poucos autores tentam recriar a atmosfera sombria que os elevou a gênero literário, no século XIX. Susan Hill situa A Mulher de Preto (Record, R$ 29,90) no interior da Inglaterra vitoriana para contar a história de um fantasma que assombra os visitantes de um lugarejo. Já virou filme, com Daniel Radcliff, o ator que interpretou Harry Potter, enfrentando o temor do sobrenatural. O livro parece arrumadinho em demasia, previsível. A linguagem moderna não combina com a descrição minuciosa dos ambientes – o que facilita a composição cinematográfica, mas, às vezes, reduz o terror. Ainda estou aguardando sustos.

mulherdepreto

Ben Mezrich parece estar se especializando em romancear fatos envoltos em polêmica na vida real. Depois de contar o processo de criação (e os jurídicos) do Facebook em Bilionários por Acaso (Intrínseca, R$ 29,90), ele trata do roubo de rochas lunares por um estagiário da NASA em Sexo na Lua (Intrínseca, R$ 29,90). Li o primeiro capítulo e tive que dar uma parada. Parece muito bom – e tem tudo para virar filme. Também baseado em personagens reais é A Maldição de Edgar (Record, R$ 42,90) uma biografia romanceada do polêmico John Edgar Hoover, o poderoso chefe do FBI por mais de 40 anos.  Segundo o autor, Marc Dugain, a reconstituição teria como fonte as memórias do companheiro de Hoover, Clyde Tolson.

sexonalua  maldicaodeedgar

A Web 2.0 será assunto por uns bons cinco anos – até o planeta se acostumar com sua presença e a mudança de costumes que ela criou. Por enquanto, há quem seja radicalmente contra o excesso de informações e a redução na formação que a Internet oferece aos usuários, como Nicholas Carr, autor de A Geração Superficial – O que a Internet está fazendo com nossos cérebros (Agir, R$ 49,90). E há os entusiastas do momento de transição, como Clay Shirky, que em Lá vem todo mundo – O poder de organizar sem organizações (Zahar, RS 59) louva a vida com todas as conexões permitidas pela Web.

lavemtodomoundo  nicholascarr

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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