Lista de Natal – Não-ficção

Entrou dezembro, o mês mais apressado do ano, em que falta de tempo é a expressão mais empregada para justificar a correria que contagia a todos. O pesadelo da grande festa internacional do comércio me atormenta, e, enquanto tento cumprir a abarrotada agenda de compromissos da estação festiva, separo mentalmente alguns obrigatórios presentes, imaginando quais livros combinarão com pessoas cuidadosamente selecionadas. Algumas dessas escolhas– no campo da não-ficção – estão aqui e podem ser aproveitadas para outros leitores.

Em Casa– Uma breve história da vida doméstica (Companhia das Letras, R$ 49), de Bill Bryson, é um interessantíssimo apanhado de costumes e objetos que compõem as casas ocidentais. Ganhei de amigo-oculto, por indicação própria, e daria, a arquitetos de interiores, antropólogos, historiadores e curiosos em geral.

O Fim da Guerra – Maconha e um novo sistema para lidar com as drogas (Leya, R$ 29,90), de Denis Russo Bugierman, tem título autoexplicativo. O autor correu mundo para conhecer a política de combate às drogas em diferentes países. Dos 210 milhões de usuários de drogas ilícitas no planeta, 165 milhões consomem, unicamente, maconha. Algo a se pensar, não? Excelente presente para eleitores maduros de Fernando Henrique Cardoso ou Fernando Gabeira.

FAB – A intimidade de Paul McCartney (BestSeller, R$ 69.90), de Howard Sounes, tem tudo o que talvez os beatlemaníacos não quisessem saber sobre o mais bem-sucedido dos ex-Beatles. Em 700 páginas, a vida de McCartney é esmiuçada, sem tentativa de glorificar o biografado – ao contrário. Sounes mostra um artista carismático, manipulador e arrogante, embora em raras ocasiões, reconheça o talento musical. Ideal para os fãs de Yoko Ono, pode agradar ou revoltaros Maccamaníacos.

fab-olgademello

Manual de Sobrevivência em São Paulo – um guia para cariocas e simpatizantes (Casa da Palavra, R$ 39,90), de Raquel Oguri, dá vontade de fazer as malas imediatamente e desbravar o Vale do Anhangabaú! Além de listas de recomendações sobre os costumes (não usar o trânsito como desculpas para atrasos, que isso não pega lá, não), há glossário para termos que a MTV populariza no resto do País (como o feinho “xaveco”), dicas de vestimentas e informações culturais. Perfeito para quem ainda não foi conquistado pela megalópole.

Guia politicamente incorreto da História do Brasil e Guia Politicamente incorreto da América Latina (Leya, Box por R$ 74,90), de Leandro Narloch e Duda Teixeira, foram escritos na pretensão de derrubar a visão histórica de viés marxista que, segundo os autores, teria imperado no Brasil após o fim do regime militar. O teor ideológico restringe a leitura a adultos maduros.

Sozinha mundo afora (Verus, R$ 19,90), de Mari Campos, jornalista especializada em viagens, traz dicas e depoimentos de mulheres não temem correr o planeta, sem companhia, a trabalho ou a lazer. Indicado para aquela amiga de 20 ou 80 anos que está criando coragem para embarcar na aventura, com muita segurança.

Para seguir minha jornada– Chico Buarque (Nova Fronteira, R$ 79,90), de Regina Zappa, traz recortes de jornais e revistas sobre o compositor, que uma de suas tias guardou ao longo de 40 anos. Ao material, Regina juntou manuscritos e desenhos, traçando não só a trajetória de Chico, mas as transformações sociopolíticas e culturais do Brasil. O trabalho delicado da jornalista na edição e em pequenos textos introdutórios dos artigos que foram digitalizados está em volume belíssimo, que encantará não só os admiradores de um dos mais cultuados ídolos da MPB.

Grito de guerra da Mãe-Tigre (Intrínseca, R$ 29), de Amy Chu, pode assustar os brasileiros pela severidade dos chineses na educação dos filhos. As exigências rígidas de excelente desempenho escolar da sino-americana que pretendia fazer das duas filhas o orgulho da família se contrapõem ao temperamento das meninas e à maleabilidade do próprio marido. Indicado para pais e mães – tanto os de linha-dura quanto os mais liberais.

A Bíblia – Um diário de Leitura (Zahar, R$ 39,90), de Luiz Paulo Horta, faz uma reflexão sobre conceitos, como pecado, milagre, fé e ressureição, vinculado a passagens bíblicas. A história contemporânea e alusões à literatura também são invocados por Horta, um dos maiores especialistas em religião no jornalismo do País, que ocupa a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. Recomendado a fieis de qualquer credo, agnósticos e ateus, o pequeno volume é uma preciosidade para compreender o livro sobre o qual se assentaram os pilares da sociedade ocidental.

Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
Esse post foi publicado em Antropologia, Biografia, Comportamento, Drogas, Economia, História, Música, Mulher, Política, Religião, Sociedade, Viagem e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s