Pesquisas nada acadêmicas

Sex, 01 de Julho de 2011 12:59
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Sair em campo em pesquisas informais, mais na “achança” do que no cruzamento de dados precisos, corroborados por estatísticos e antropólogos, é uma especialidade dos jornalistas no mundo inteiro. Essas descobertas vivenciadas criaram um gênero de leitura agradável – estruturado no descompromisso acadêmico aliado ao bom estilo de redação – que garante bom retorno financeiro e pessoal aos autores.

Depois de comover os duros corações de editores até obterem financiamento para viagens ao redor do planeta em busca das informações, alguns desses jornalistas, aos poucos deixam as atividades iniciais para se aventurarem em outros campos da escrita. Um dos mais respeitados deles é o britânico Malcon Galdwell, que, com Blink, a Decisão Num Piscar de Olhos (Rocco, R$ 20 – no site Estante Virtual ), em que tratava de estudos científicos sobre habilidades intuitivas, Gladwell foi consagrado o panteão dos gurus dos leitores de light business, que já haviam atentado para seu nome com O Ponto da Virada (Sextante, R$ 18 – na Estante Virtual), no qual aborda formas de comunicação.

Outro bom exemplo de material que não cabe apenas nas páginas de jornais e revistas é o que o Perry Garfinkel apresenta em Buda ou Desapego (Rocco, R$ 42). Originalmente uma série de reportagens publicadas na revista National Geographic, que bancou sua viagem pela Europa e pela Ásia, o livro mostra Garfinkel seguindo trajetos consagrados por Sidarta ou por seus adeptos no planeta. Já o americano Eric Weiner percorreu mundo afora para saber como os povos definiam a felicidade, e em A Geografia da Felicidade (Agir, R$ 34,90), tirando os preconceitos típicos de seus compatriotas a respeito dos estranhos terráqueos que ocupam outras terras no Globo, o jornalista alinhava conclusões honestas e cândidas sobre as diferentes formas de encarar a vida.

Outra investigação comportamental ao redor do globo é Na Ponta da Língua – As Linguagens do Adultério do Japão aos EUA (Record, R$ 44,90), da norte-americana Pamela Druckerman. Intrigada com o mito da falta de culpa dos franceses em relação ao adultério, ela foi à Rússia, África do Sul, França, Japão e China, além de procurar grupos de judeus ortodoxos e de americanos de diversas faixas etárias para ver o que eles pensam dos casos extraconjugais. Sua conterrânea Liz Tucillo, ancorada no sucesso da série televisiva Sex and the City, da qual foi consultora, viajou para diferentes destinos – entre eles o Rio de Janeiro – para entender como é situação das mulheres sem marido no mundo inteiro. Como Ser Solteira (Record, R$  44,90) parece, incialmente, uma chick lit sobre quatro novaiorquinas lutando para encontrar companheiros para a vida inteira. Entremeando descrições apimentadas de embates amorosos com a observação do machismo imperante nas sociedades latinas, por exemplo, Tucillo fez sua protagonista conhecer a cumplicidade feminina, o que a acalenta quando percebe que chegou à maturidade desprovida do Príncipe Encantado.

livro-sincero

 

Um dos mais divertidos relatos de experiência pessoal e
conclusões amadoras sobre o comportamento humano
está em Sincero (Verus,R$29,90), do alemão Jürgen
Schmieder, que resolveu passar 40 dias sem mentir.
Como sinceridade e grosseria caminham de mãos dadas,
a sucessão de percalços enfrentados por Shmieder
demonstram que a hipocrisia travestida das boas maneiras
tem salvado, ao longo de milênios, a humanidade do extermínio.

 

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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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