Curiosidades em choques culturais

Sáb, 28 de Maio de 2011 12:44
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A cada semana, uma nova leva de biografias ou testemunhos sobre a vida de astros pop é despejada nas livrarias por editoras mundo afora. A onda, que parece ter se iniciado em meados dos anos 70, quando o interesse do público estava mais voltado para as vidas das estrelas de cinema, não para de crescer, apesar de hoje contarmos com Internet e uma infinidade de publicações dedicadas ao tema.  Muitos desses lançamentos são apenas caça-níqueis irrelevantes – mesmo para quem não vê a menor importância em conhecer detalhes biográficos de artistas. Outros são cuidadosas composições que pretendem oferecer visões originais sobre o universo daqueles seres iluminados, admirados por multidões.

Dois desses olhares privilegiados chegaram há poucos dias ao mercado. O jornalista e cineasta Nelson George fala sobre o fenômeno pop e a trajetória de Michael Jackson através da análise do álbum “Thriller”. Autor de outra biografia do ídolo, George trata da carreira de um artista como projeto de um grupo dos melhores profissionais do cenário musical internacional, entre eles o maestro Quincy Jones. Não é apenas o disco mais vendido na história que “Thriller – a Vida e a Música de Michael Jackson (Zahar, R$ 29,90) aborda, mas o impacto que seu lançamento provocou na indústria fonográfica – além do surgimento de videoclipes de alta qualidade. A queda dessa mesma indústria a partir do advento da Internet também é mencionada no texto escrito após a morte do cantor, há dois anos.

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O novaiorquino Bill German também traz um olhar privilegiado sobre a vida dos astros pop em Rolling Stones: Under Their Thumb (Nova Fronteira, R$ 44,90). Aos 16 anos, ele decidiu criar um fanzine mimeografado sobre seus ídolos, dos quais conseguiu aproximar-se e até fazer amizade, notadamente com Keith Richards e Ron Woods. Por quase duas décadas ele manteve o informativo Beggars’ Banquet e viveu à sombra da existência dos roqueiros, circulando entre seus amigos e trabalhando em torno da mítica de seus nomes. Decidido criar sua própria história e a trilhar caminhos que não o dos astros, ele relata os anos daquela convivência regada a sexo, drogas e rock’n’roll.

 

 

 

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Da mesma forma que os segredos dos pop stars atiçam a curiosidade dos leitores, vez por outra o mercado editorial elege um tema ligado ao interesse político mundial. Embora as projeções de muitas editoras fosse que este ano boa parte dos lançamentos enfocasse as mudanças climáticas, os títulos que analisam o mundo árabe cada vez mais entopem as prateleiras. Entre os que mais chamam a atenção está A Casa da Sabedoria (Zahar, R$ 44), de Jonathan Lyons, que, desde o primeiro capítulo, inverte o enfoque do choque Ocidente-Oriente. A chegada dos cruzados, “um exército de fanáticos, de pele clara e olhos azuis”, ignorantes que temiam os fenômenos da natureza, deixa horrorizada a população sofisticada e instruída de Constantinopla. O Oriente já desenvolvera a álgebra, o papel, medira a circunferência da Terra (algo que o Ocidente só realizou oito séculos mais tarde), traduzira textos científicos e filosóficos gregos.

Lyons não chega aos dias de hoje, analisados por Amin Maalouf em O Mundo em Desajuste (Difel, R$ 39). Libanês radicado na França, o romancista destaca, neste longo ensaio, o momento da mudança do nacionalismo árabe para o fundamentalismo islâmico, que situa na década de 60, a partir da Guerra dos Seis Dias. Os choques culturais em um mundo que se tornou mais próximo graças à tecnologia, para Maalouf, não podem ser creditados aos preceitos religiosos – uma vez que esses se modificam ao sabor dos desígnios de quem esteja no comando da doutrina. Embora trate basicamente das guerras travadas em torno de idéias e territórios, Maalouf tem esperança de um entendimento global.

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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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