Aventuras românticas para mocinhos e mocinhas

Sex, 10 de Junho de 2011 19:35
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OstresmosqueteirosRecentemente, saí a campo entrevistando amigos e conhecidos sobre seus hábitos de leitura. A pesquisa, que não seguia métodos acadêmicos, mas apenas uma curiosidade pessoal, foi um trabalho para uma disciplina da especialização em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo que curso na Pontífícia Universidade Católica (PUC-Rio) carioca. Aberto a meros apreciadores de literatura como eu, o curso admite alunos leigos no tema.  À parte a boa nota obtida, a pesquisa me revelou muito dos leitores de uma faixa específica da população brasileira – a que consome livros.  Surpreendentemente, a obra mais citada pelos entrevistados como de importância em suas vidas foi Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, que esta semana chega às livrarias em nova edição da Zahar (R$ 29,90).

Dumas é o autor que qualquer escritor gostaria de ter sido. Foi inovador ao abrir uma verdadeira oficina de ghost writers, que desenvolviam suas idéias em textos que ele assinava – provavelmente fazia revisões finais -, uma prática bastante comum nesses tempos de indústria cultural.  Além de contratar colaboradores, Dumas se consolidou como um dos principais mestres da narrativa de aventuras, que entretém e captura o leitor. Por que autores como Alexandre Dumas continuam cativando uma legião de admiradores confessos? Para o inglês Nick Hornby , autor do pop Alta Fidelidade (Rocco, R$ 37), o segredo está no domínio absoluto do enredo. O encadeamento das ações prende o leitor porque eles sabiam se comunicar perfeitamente com o público, criando histórias que emocionam e que nem sempre poderiam acontecer na vida comum. O momento em que a leitura se torna um fenômeno de massa é quando os escritores, no século XIX, se dedicam ao romance, contando histórias que têm o poder de desligar o leitor da vida. Exatamente como cinema e a televisão fazia até pouco tempo atrás.

Há alguns anos, a Zahar lançou a primeira edição completa do Conde de Monte Cristo, em dois volumes (R$ 129), e, no fim do ano passado, o caprichadíssimo Os Três Mosqueteiros, com ilustrações belíssimas e comentários do editor Rodrigo Lacerda (R$ 69,00).  Resta torcermos para que a editora se empolgue e publique também a sequência das andanças de D’Artagnan, Porthos, Athos e Aramis, contada por Dumas em Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelonne.

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Aos românticos que gostam de amores literários, uma das boas sugestões para o Dia dos Namorados é Um Dia (Intrínseca, R$ 39,90), de David Nicholls, que conta a vida de um casal ao longo de duas décadas. O romance mostra um dia – 15 de julho – em cada um desses vinte anos, mostrando a evolução dos protagonistas. Já quem busca um título consagrado, pode se deliciar com o belíssimo Fim de Caso (Record, 32,90), de Graham Greene, que trata de um triângulo amoroso durante a Segunda Guerra Mundial. Os dois livros trazem a visão do amor pela ótica masculina e com uma sensibilidade de dar inveja a muitas mulheres.

razaoesensibilidadeJá os que acreditam que Jane Austen seja uma autora para mocinhas, podem se surpreender com a leitura de Razão e Sensibilidade (Bestbolso, R$ 19,90). Como em outras histórias da autora, as protagonistas são duas irmãs sem recursos financeiros, na Inglaterra do início do século XIX, que precisam se casar para garantir o próprio sustento. A própria escritora pertencia a essa categoria social imprensada entre a aristocracia e os trabalhadores comuns, que não podia encarar a labuta sem ser vista com a mesma estranheza que devotaríamos, hoje, a moças de classe média que se tornassem empregadas domésticas. Mas Austen, que morreu solteira, estava à frente de sua época, obtendo sucesso profissional e ajudando a manter sua própria família. Já suas entusiasmadas heroínas, enquanto se apaixonam por mocinhos ou vilões, apresentam um universo que obedece a regras ditadas mais pelos preconceitos do que pela convivência harmoniosa – e não tão distante do que conhecemos na atualidade.

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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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