Para ler na rede 6

Leituras de Carnaval

Sex, 04 de Março de 2011 20:32
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No Brasil, o ano começa “de verdade” sempre nas segundas-feiras depois do Carnaval. Boa época para aproveitar o ócio e relaxar na rede, livrinho à mão. Já se foi o tempo em que eu me deliciava com exemplares empoeirados de romances de Agatha Christie, encontrados em estantes das casas onde me hospedava. Hoje, como os hábitos de leitura tornaram-se raridade, o máximo que espero é deparar-me com velhas revistas. Por isso, viajo sempre com dois ou três livros, para não acontecer como num feriadão chuvoso em que acampei. Foi ótimo enquanto durou o “Minha Razão de Viver” (Planeta, R$ 44,90), do Samuel Wainer. O problema é que as páginas se acabaram em dois dias…

Para evitar o estresse, ando sempre com material de leitura a tiracolo – mesmo quando vou ao supermercado ou banco. Na mala de viagem, há um cantinho reservado para acomodar alguns volumes. E se eu fosse viajar agora, mesmo em boa companhia, estaria carregando algum dos que enumero abaixo.

Luar em Odessa (Record, R$ 54,90) – A romancista estreante Janet Skeslien Charles morou na Ucrânia, cenário de parte de sua divertida novela sobre a funcionária da agência de casamentos Uniões Soviéticas, especializada em encontrar mulheres para homens ocidentais solitários.

A Beleza e o Inferno (Bertrand Brasil, R$ 39) – Jurado de morte pelos mafiosos napolitanos depois que lançou Gomorra (Bertrand, R$ 39), em que mostra as entranhas da organização criminosa, o jornalista Roberto Saviano vive sob proteção policial e escondido desde 2006. Neste livro, que ganhou o Europe Book Prize, Saviano ainda trata da organização criminosa, mas também aborda a superação de desafios pessoais e sociais, através de personagens como o jogador de futebol Lionel Messi, em textos curtos e contundentes.

Arrebentação (Alfaguara, R$ 58,90) – Sucesso de vendas e de crítica na França, o romance é situado em La Hague, vilarejo na costa da Normandia, assolado por constantes tempestades. É lá que uma ornitóloga procura se isolar, depois da morte do marido, e, aos poucos, descobre semelhanças de sua trajetória pessoal com a de outros personagens, que preferem a reclusão.

Do Rio de Janeiro e de Seus Personagens (Rocco, R$ 20) – Reunião de crônicas da escritora que demonstra seu amor pela cidade em textos delicados de observação sensível, nos quais confessa seu deslumbramento pela forma como a natureza se impõe aos cariocas, registrando ainda o contato com as reflexões filosóficas que partem de motoristas de táxi ou empregadas domésticas.

A Comédia Humana (José Olympio, R$ 35) – Quando lançou este pequeno clássico, em 1942, William Saroyan  criou poéticas analogias das viagens mitológicas do grego Ulisses com a dos soldados que lutavam na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Na cidade imaginária de Ítaca, na Califórnia, o jovem estafeta Homero entrega os telegramas que informam às famílias sobre a morte dos soldados. Órfão de pai, ele vive com a mãe e os irmãos – entre eles, o pequeno Ulisses -, temendo receber um comunicado sobre a morte do irmão, na frente de batalha europeia.

Eu sou Deus (Intrínseca, 39,90) – Um psicopata aterroriza Nova York no mais recente “thriller spaghetti”, classificação que o jornal italiano Corriere della Serra deu às criações de Giorgio Faletti, que tem livros traduzidos em 25 idiomas. Faletti é autor de diversos best-sellers, tendo vendido mais de 11 milhões de exemplares, somando todos os títulos de sua obra, que começou a ser publicada em 2002.

A Abadia de Northanger (BestBolso, R$ 17,40) – A reedição deste delicioso clássico, que foi publicado em 1818, depois da morte de Jane Austen. Em sua única incursão no gênero gótico, a escritora inglesa não abandona sua característica ironia ao mostrar o fascínio da sonhadora jovem Catherine, uma leitura de romances sombrios, em conhecer um ambiente soturno e misterioso, enquanto se entrega a paixões da adolescência.

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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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