Os cinco mais

No fim do ano passado fiz uma lista de parcos cinco livros que considerava as melhores leituras de 2008, sem grande convicção. Não havia nada que tivesse sido objeto de grandes resenhas ou discussões em cadernos de literatura. Revendo a lista, acho que incluiria mais um, Uma Real Leitora, uma delícia de novela de Allan Bennett, em que ele fantasia a transformação de Elizabeth II, da Inglaterra, em leitora compulsiva. Depois falo mais deste, mas, por agora, reproduzo minhas observações sobre minha listinha.

1. O show do eu – A intimidade como espetáculo (Nova Fronteira) – A antropóloga Paula Sibilla escolheu a sociedade do espetáculo como tema de sua tese de doutorado em Comunicação na Universidade Federal Fluminenes. O livro é a tese reeditada para leigos, sem as amarras do texto acadêmico. Nele, Paula fala de diferentes aspectos da sociedade ocidental contemporânea, que não apenas tornou-se voyeur como criou uma nova exigência: todos precisam se exibir e marcar presença, mesmo sem uma produção consistente. Exemplo fácil: Maddona, uma persona muito maior do que a cantora, sua profissão original.
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2. A Exceção (Intrínseca) – O thriller do dinamarquês Christian Jungersen trata da politicagem em um pequeno escritório de uma organização humanitária, revelando a mesquinharia que qualquer ser humano pode experimentar. Também explora um lado interessante do paraíso social nórdico e o egoísmo cultivado por gente que torna a solidariedade uma profissão.
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3. Uma Breve História de Tratores em Ucraniano (Bertrand Brasil) – Os conflitos familiares – e legais – provocados pelo casamento de um ucraniano idoso com uma jovem conterrânea voluptuosa, que quer o conforto e uma permissão de residência na Inglaterra, contado pelo ponto de vista das duas filhas do velho viúvo. Tragicômico e previsível como a vida real, o romance da inglesa Marina Lewicka (descendente de ucranianos) aborda um tema tocante e banal com mordacidade e ternura.

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4. A Casa do Califa – Um ano em Casablanca (Roça Nova) – Especialista em livros de viagem, o inglês (descendente de afegãos) Tahir Shah conta a epopéia de sua mudança para Casablanca com a família e a reforma do palacete que ele comprou, ao lado de uma favela. Além dos dissabores comuns em qualquer obra, eles precisam enfrentar empregados prá lá de pitorescos, respeitar o calendário religioso e contratar exorcistas para expulsar demônios da casa.

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5. Roma S.A. (Rocco) – Sob o pseudônimo de Stanley Bing, o vice-presidente de Comunicação da CBS criou uma carreira paralela de comentarista de economia. Iconoclasta, ele conta a história de Roma através da visão do mundo corporativo, desde sua mítica criação por Rômulo e Remo, até sua reinvenção e permanência no domínio de um mercado bem maior do que as próprias fronteiras físicas, quando transformou-se em sede da Igreja Católica – ganhando mais de 1 bilhão de associados/consumidores.
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Sobre Olga

Para alguns, existem deuses e religiões; minha devoção se dirige à literatura. Assim surgiu este blog, um dos milhões que nascem a cada segundo no planeta. Sem pretensões, só para compartilhar um dos prazeres solitários mais subversivos e incompreendidos de que dispomos.
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