Há quase um mês perdi alguém com quem queria manter uma grande amizade, o livreiro George Whitman, que rebatizou sua livraria parisiense Le Mistral de Shakespeare and Company, em homenagem à que fora criada por Sylvia Beach e reunira proeminentes personagens da Geração Perdida, como James Joyce e Ernest Hemingway. Quando se fala em George, todos ressalvam que a Shakespeare and Company original não era a dele, mas foi esta que restou – em espírito – e continua sendo administrada por sua filha, Sylvia. O excêntrico americano homenageou Sylvia Beach em suas duas criações.
Fiquei encantada pelo personagem quando li “Um livro por dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company” (Zahar), do canadense Jeremy Mercer. Até hoje, leitores pobretões podem se hospedar por uma semana na livraria, desde que cumpram o compromisso de ler um livro a cada dia. Mercer foi um dos residentes fixos, como outras figuras memoráveis, em meio a milhares de volumes, insetos, um gato e muitas conversas com gente interessante. Uma experiência que eu jamais teria por minhas exigências de um mínimo de asseio para a sobrevivência enquanto asmática.
Whitman deixou um legado de amor aos livros que podem ter o formato atual extinto, talvez, com a criação do e-book, mais barato, mais ágil e mais perene que os volumes em papel. A praticidade do e-reader é inegável, embora o aprendizado e o armazenamento mental das ideias saiam comprovadamente prejudicados pela tentação do “recorte e cole” – no caso dos textos didáticos. Nesta era do efêmero, parece maluquice arranjar espaço e tempo na vida para o prazer concreto que um livro proporciona. Coisas daquela gente anacrônica do século XX.
Olá! Agradeço pelo comentário em meu blog. Seu espaço também é muito rico. Vejo que, além de cinéfila, você gosta muito de ler, outro traço que compartilhamos.
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