Luciana Conti, quando conheci, era uma mãe de gatos. Distribuía filhotes a todos os colegas nas redações por onde passava. Tempos depois, decidiu criar seus próprios gatinhos e tornou-se blogueira.
Gato de sofá é uma graça de blog amoroso de mãe leitora, que dissemina o vírus por seus filhotes. Lá estão diversos volumes que li para os meus, muitos anos atrás.
Foi muito duro o dia em que separei os livrinhos que eram para dar, outros para guardar e acabaram-se as estantes com obras infantis nos quartos de meus meninos. Foi o fim de um ciclo e me trouxe uma sensação de ninho vazio horrorosa, igual ao dia em que descobri que teatrinho não era mais para aquela garotada de onze, doze anos, que assistia a uma peça da Karen Accioly no Teatro do Jockey. A gente percebe que perdeu um pouco da função que exerceu durante tanto tempo. 
Entre os livros que restaram estão muitos dos que Luciana descreve no blog. Acho que de três ela ainda não falou, que li e reli à exaustão para meus então pequenos. Uma é A Cama de Mamãe, em que os filhos se apossam da cama da mãe para brincar, durante o dia, e para dormir agarrados, à noite. Uma realidade latino-americana, claro. Outros são a série de Babette Cole, que escreve sobre temas dolorosos, como separação dos pais, ou fala sobre a vida sexual, de forma engraçadíssima e agradável para as crianças. Cabelinhos em lugares engraçados é para crianças bem pequenas e aguarda novos leitores.

Outros hits nessa literatura infantil nem tão contemporânea assim são os livros de Audrey e Don Wood, como Os Meus Porquinhos, O Rei Bigodeira, A Palavra Feia de Alberto ou A Bruxa Salomé – esta proscrita das leituras, porque Oto tinha pavor da história (para deleite dos irmãos, que o ameaçavam com o livro, até que escondi).

Falo dos escritores gringos porque não há nem necessidade de mencionar Ruth Rocha ou Ana Maria Machado. Ou na Angela Lago, que conheci lendo para meus filhos e acabou tornando-se minha amiga, depois de uma apresentação virtual, através do Orkut.
Fiquei triste também porque nenhum dos meus filhos teve interesse em ler Mary Poppins ou os livros de Laura Ingalls, que tanto encantaram minha infância. E ao descobrir que o linguajar de Monteiro Lobato tornara-se obsoleto – embora os enredos, não.
Ler para os filhos pode não fazer os leitores de hoje, dispersos entre distrações que exigem concentração menor. Mas ainda é uma delícia a ser saboreada pelos pais.
Pequenos prazeres
28/09/2009 por Olga
Oi Olga, qual não foi minha surpresa em me ver citada em seu blog. Adorei, até porque adoro seu texto e suas postagens. Sobre suas dicas estão todas anotadas. A minha cama é a própria cama de mamãe, mamãe de Pedro, Antônio e da gata Isolda. Ainda tenho uma gata. Os outros dois, Tristão e Guen, morreram. Um de doença renal e a outra de velhice – 20 anos bem vividos. A Babete Cole o Pedro já leu na escola. A princesa sabichona, muito legal. A Audrey Wood li dois aqui em casa: A casa sonolenta e O Ratinho, o morango vermelho maduro e o urso esfomeado. Maravilhosos. Já Monteiro Lobato tentei e não consegui. O Pedro não quis, mas gosta de ver a série que ainda passa no Futura. Quem sabe mais tarde, quando ele se ligar menos nas ilustrações? Bem.. estou longe do dia de ter que arrumar estas estantes. Por enquanto vou curtindo colocar os dois na cama de noite com as histórias que encantam a eles e a mim. bjs. Luciana